terça-feira, 17 de julho de 2012

OEA cobra reposta do governo sobre desaparecidos no Araguaia





A Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à OEA (Organização dos Estados Americanos), pediu explicações ao Brasil sobre a demora na localização e identificação de restos mortais dos participantes da Guerrilha do Araguaia. O governo tem até 31 de agosto para responder à interpelação, explicando os motivos pelos quais as expedições de busca na região do conflito, no sul do Pará, ainda não produziram resultados. Em 2010, ao julgar ação movida por familiares de desaparecidos, a corte havia determinado que o Brasil localizasse e apresentasse os restos mortais. Em abril deste ano, os mesmos familiares, representados pela ONG (organização não-governamental) Centro pela Justiça e o Direito Internacional, voltaram à corte, dessa vez para manifestar insatisfação com os resultados das buscas.

Em um documento de 120 páginas, eles acusam o governo de trabalhar sem métodos científicos, desperdiçando recursos públicos. Seria mais eficiente e econômico, argumentam, se as Forças Armadas abrissem seus arquivos secretos e revelassem quais os lugares onde foram deixados os restos mortais guerrilheiros. A repressão ocorreu nos anos 70. A professora aposentada Vitória Grabois, filha do guerrilheiro Maurício Grabois, desaparecido desde 1973, critica o mau uso dos recursos. — É muito dinheiro, se você considerar que as expedições andam de um lado para outro sem orientação, sem metodologia científica. Se continuar dessa maneira, é melhor usar o dinheiro para a construção de escolas e hospitais.
Signatária do documento, ela diz que boa parte dos familiares se afastou das buscas oficiais. — Já estive duas vezes na região. Agora me recuso a participar de expedições que se destinam apenas a demonstrar a boa vontade do governo. Isso não basta. O governo deverá enviar explicações à Corte Interamericana dentro do prazo previsto, segundo Gilles Gomes, representante da Secretaria de Direitos Humanos no Grupo de Trabalho Araguaia, criado especialmente para realizar as buscas. De São Geraldo do Araguaia, no Pará, onde se encontrava na semana passada em mais uma expedição, ele disse por telefone que serão detalhados os trabalhos já executados, as dificuldades na localização e a identificação de corpos desaparecidos há quase 40 anos, além dos avanços obtidos. Gomes também rebateu as críticas dos familiares.  — Os documentos oficiais são importantes, mas não se pode exagerar. Há um certo fetichismo em torno deles. Eles podem ter pistas, mas não resolvem todos os problemas. Não está descartada a hipótese de já terem sido realizadas operações de limpeza na região. Essas operações, segundo Gomes, teriam consistido na retirada e transferência dos restos mortais dos locais onde foram originalmente depositados.(R7)

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